Serra do Divisor — Em desenvolvimento

Em continuidade com BR-319 e Veios de Ausência, esta série observa os vestígios deixados pela tentativa de prospecção e exploração de petróleo na Serra do Divisor Amazônia. no início do Seéulo XX. A presença humana aparece inscrita na matéria: clareiras, cortes no solo, estruturas abandonadas, resíduos e superfícies alteradas. O empreendimento não se consolidou, mas sua passagem permaneceu registrada no território. Com o tempo, a floresta envolve, recobre e incorpora essas marcas. A vegetação ocupa as aberturas, a umidade modifica os materiais e os vestígios deixam de existir como elementos isolados, tornando-se parte de uma paisagem novamente transformada. As fotografias observam essa tensão entre intervenção e absorção. Aquilo que foi abandonado não desaparece por completo: permanece sob novas formas, submetido à ação contínua da matéria, da floresta e do tempo. A ausência da exploração torna-se presença por meio de seus restos. O vestígio persiste como memória física de uma tentativa interrompida e de sua lenta incorporação pelo território.